FIL 2026 · Quest 3 · versão de 06/09/2026

Raízes Cósmicas v2

v2 para não confundir com a versão do Plinio, que também se chama Raízes Cósmicas: são a mesma obra, construídas em dois lugares. Quatro cenários em dez minutos, numa área caminhável de 3 × 3 m dentro de uma sala escura. A pessoa entra de uma marca no chão, e sai por onde entrou. Nenhuma passagem tem corte — tudo é metamorfose, como na animação que deu origem a isto.

1 · a floresta — 3:00 2 · o sistema solar — 3:30 3 · o planeta rosa — 2:15 4 · o papel — 1:15

Os tempos

Cada momento tem duração fixa e acontece independente de a pessoa interagir. Há uma janela para ela agir; passada a janela, a narrativa segue. Quem interage conduz, quem não interage é conduzido — e ninguém trava a fila.

deo quêdura
0:00a sala real; o céu estrelado já está lá0:05
0:05as estrelas começam a cair0:10
0:15o nascimento: grama → cogumelo → a árvore1:35
1:50janela — andar, os cogumelos, o casulo1:00
2:50a borboleta sobe e o mundo se desintegra0:10
3:00as estrelas acendem, da mais distante até o Sol0:40
3:40os planetas surgem e vêm orbitar a pessoa0:30
4:10eles se dispersam pelo céu e ficam à espera0:30
4:40os buracos negros aparecem0:20
5:00o balé — sugar e cuspir os planetas não escolhidos0:30
5:30janela — pegar e dimensionar um planeta0:50
6:20entrar no planeta0:10
6:30o planeta rosa se monta; a água sobe até a cintura0:35
7:05a deusa vermelha aparece na margem, com reflexo0:25
7:30janela — os seres, as pedras, achar a concha0:55
8:25a mão gigante vem, e puxa0:20
8:45o mundo de papel sobe, de baixo para cima0:35
9:20a deusa que integra tudo surge entre as camadas0:25
9:45tudo se desmancha; sobra o quarto real0:15

Os números do áudio não cabiam nos dez minutos como estavam. Trinta segundos de espera mais vinte para os buracos negros aparecerem já passavam dos 2:30 que o sistema solar tinha. Ele cresceu para 3:30, e a floresta e o planeta rosa cederam o que faltava.

São três janelas de interação, de 50 a 60 segundos cada. É pouco para quem trava e sobra para quem entende rápido — medir com gente de verdade é a única forma de acertar isto.

Cenário 1

A floresta cósmica

0:00 — 3:00
céua panorâmica da Crisia · pronta
presençao casulo e a borboleta
ambientea nuvem cósmica marmorizada
toquecogumelos · casulo
saídasobe — a borboleta leva o mundo
a chegada

A pessoa põe o óculos na marca do chão e olha em volta. Embaixo, só o ambiente real. Ao olhar para cima, o céu estrelado já está lá — não surge, já estava. Cada pessoa leva o seu tempo para notar, e esse tempo é dela.

a queda

Uns vinte segundos depois começam a cair partículas. Não é neve — é como se as estrelas estivessem caindo, ou se aproximando. Elas caem dentro do polígono de chão que o aparelho leu, e onde tocam, ficam.

o nascimento

De cada grão pousado nasce a vegetação, uma coisa após a outra: grama → cogumelo → uma única árvore. Não é o tempo que dispara isso, é a poeira. A camada da Crisia causa a do Plinio.

Ao mesmo tempo, em cima, a pintura preenche a cúpula.

a nuvem cósmica

Entre o céu e o chão entra a nuvem cósmica marmorizada — a camada da Crisia, feita da marmorização em ebru assada por quadro. Ela não é objeto nem cenário: é o que ambienta, o ar entre as coisas.

Já foi construída e testada, e funcionou. É a única peça deste cenário que já existe pronta, junto com o céu.

a árvore

Ela fica perto da parede, na região infinita — não no centro. O que vem até você é um galho que se inclina, e dele pende o casulo, dentro do alcance da mão.

É a árvore-mãe do Plinio, com a textura da Crisia. A estrutura dele fica: tronco curvo, três galhos abaixo de dois metros, copa acima do forro. O que muda é a pele.

E a copa deixa de ser folha: vira poeira cósmica aglomerada. Folha de polígono mostra a aresta de perto; poeira não tem aresta para mostrar. Assim a árvore passa a ser feita da mesma matéria que o mundo em volta, em vez de ser um objeto colado nele.

As raízes são orgânicas — nunca geométricas.

o toque

Os cogumelos acendem quando a mão se aproxima, antes do toque. É o que ensina, sem instrução, que se pode tocar nas coisas. Depois disso o casulo é óbvio — e a saudação já estava escrita no código:

"Só um casulo pendurado num fio. Toque nele."
a passagem

A borboleta sai do casulo e voa em direção ao céu, com rastro. O olhar sobe atrás dela, e enquanto sobe, tudo se desintegra — como quem puxa um lençol para cima. O cenário seguinte se monta de cima para baixo.

A borboleta em 3D do Plinio serve como está. O que muda é a textura: entra a da t_005, a borboleta 88, com os dois anéis concêntricos nas asas. Recorta-se a asa da imagem e aplica-se na geometria que já existe — não é preciso remodelar nada.

Cenário 2

O sistema solar

3:00 — 6:30
céuo céu cósmico
presençao ser galáctico, ao longe
toquepegar e dimensionar um planeta
saídaentrar no planeta
o afastamento

É um zoom para fora do primeiro cenário — como olhar o mapa. Você vai junto com a borboleta para o espaço. A floresta ressoa o universo.

como se monta

Estrela a estrela: acendem primeiro as mais distantes, depois mais perto, mais perto, até acender o Sol. Só então surgem os planetas circulando ele, acima da cabeça. E então, um a um, eles descem e vêm girar em volta da pessoa.

A montagem não tem frente. Ela acontece em volta, e a pessoa vê os planetas girando e se montando virando para qualquer lado. Prender o espetáculo a uma direção restringiria demais onde ela pode estar — a marca no chão serve para posicionar e para o aparelho se orientar, não para obrigar ninguém a olhar para um lado.

os quatro planetas

Rosa — mais ar, nuvens e furacões; ao segurá-lo, as nuvens começam a girar em volta de você. Azul-bebê — ondas, espuma, superfície líquida que se move. Vermelho-fogo — chão de vulcão, crostas pretas, lava nas rachaduras. Verde — continentes e polos, parecido com a Terra, mas não é a Terra.

Nem todos precisam ser esferas. Outros universos podem não respeitar a gravidade que arredonda tudo — mas o rosa fica esférico por enquanto, e os outros é que experimentam forma.

o respiro

Eles se aproximam e dão a volta na pessoa — mas não ficam aglomerados em volta dela. Depois da volta eles se dispersam pelo céu, cada um com espaço em torno. Amontoados, ela não consegue lidar com nenhum.

E o planeta que aceita interação fica mais perto. É assim que se sabe qual é, sem nenhum aviso: a distância é o convite. O que está ao alcance é o que responde.

Depois de se montarem, eles ficam parados no espaço à espera — uns trinta segundos — e só então voltam a se movimentar.

o que mais vive aqui

Asteroides passam ao acaso; um pode ser desviado pelo seu campo gravitacional, dar uma volta em você e seguir.

A estrela irradia luz e projeta sombra em tudo. Iridescente, com as cores se alterando sem pisca-pisca — dominante branca. Emite bolhas de energia pulsando, parecidas com as bolhas luminosas do chave_03.

Os buracos negros não estão lá desde o começo. Eles só aparecem depois — quando os planetas já se montaram e o cenário já respirou. Aí os que não foram escolhidos voltam ao Sol ou vão para eles, que ora sugam, ora cospem de volta: um balé, que recomeça a cada escolha.

a passagem

Você pega um planeta. Ele fica do tamanho da mão aberta. Abrindo muito, ele cresce além de você — e você entra nele. O cenário desce; o seguinte se monta de baixo para cima.

Cenário 3

O planeta rosa

6:30 — 8:45
céurosa marmorizado e estrelado
presençaa deusa vermelha
toquea mão gigante
saídao buraco negro dentro da concha
escopo

Faz-se um planeta só. Por ora, qualquer um que se abra leva a este. Os outros vêm depois, mudando cor e detalhe sobre a mesma estrutura.

onde você está

Dentro da água, com ela na altura da cintura. Pedras com textura em volta. Sem árvores. As partículas continuam. No lugar da grama, algas.

Isso já existe no código do Plinio — a lâmina de água na cintura, com as suas pernas reais aparecendo por baixo. Em realidade mista é o melhor tipo de efeito: metade da imagem é você.

a cor

Céu rosa profundo, não claro. Embaixo, verde com azul e amarelos leves. O rosa não pode ser pálido: ele é o fundo da deusa, e se clarear demais ela some por falta de contraste.

a deusa vermelha

Ela vem em vídeo, recortada com orla clara, num plano que sempre encara a pessoa. Fica no chão, perto da água, com reflexo.

É o único quadro da animação que tem chão — e o chão dela, segundo o próprio código, é de vitórias-régias. O chão dela já era água. É por isso que ela pertence a este cenário e a nenhum outro.

os seres

Peixes e seres marinhos voando, de formas estranhas.

a passagem

Uma concha grande, com um buraco negro dentro — grande de propósito, para ser achada sem procura. Dele surge uma mão gigante que vem na sua direção; você toca, e ela te puxa.

Cenário 4

O mundo de papel

8:45 — 10:00
céuo céu cósmico, o mesmo do 2
presençaa deusa que integra tudo
toque—
saídaé o fim da experiência
como chega

Ele não aparece: vai surgindo de baixo para cima, lentamente, enquanto a experiência se encaminha para o fim.

as camadas

As formas circulares da animação, recortadas em camadas de papel, uma atrás da outra. Ao mover a cabeça elas se deslocam entre si e o espaço aparece — paralaxe de verdade, não desenho de perspectiva.

Elas flutuam no cosmos, sem caixa que as limite.

e embaixo

Onde haveria chão, aparece o céu do primeiro cenário, invertido — o lugar de onde ela partiu, agora sob os pés. Custa zero: a panorâmica já existe, é só inverter a direção.

quem está lá

A deusa que integra tudo, surgindo no meio das camadas, em dimensão muito grande.

Só ela. A borboleta-mandala ao fundo fica para depois — este cenário já tem coisa demais junta, e ela seria a terceira presença num trecho de setenta e cinco segundos.

o fim

A borboleta circunda a pessoa, e a obra se desmancha. Sobra o quarto real, com a luz rasante no chão — a mesma imagem do primeiro minuto.